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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mais cartas

O tempo passa e a gente continua buscando enredo em outros sambas que não aquele que a gente nasceu pra dançar. Histórias que a gente não vive, imersos em tanta não-ficção. E quando acha uma verdade estonateantemente forte a gente se agarra, como aos braços de nossas sempre mães. Continuamos escrevendo cartas sem destinatários, por mais que o bom senso peça o contrário. Quem sabe alguém um dia leia. Quem sabe alguém um dia entenda essa fórmula de viver dos sonhos, de encontrar poesia onde o racional é rei. Mas o mundo é suficientemente áspero para podar qualquer sentimentalidade. E então é como se vivêssemos duas vidas. Uma é aquela que nós realmente vivemos, obrigados a colocar a esperteza acima de qualquer sentimento que extrapole as guias da etiqueta. A outra é a vida que escrevemos aqui nessas cartas, cheias de entrelinhas e sonhos. Cartas de um remetente só.

Assim escreveu um amigo poeta!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É passado


É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembraças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

se eu tivesse um manual, começaria assim:

não limite-se a acreditar no que digo,
não acredite em tudo que escrevo.
pois eu, aislan munin,
sou poesia e alegoria.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

um poema concreto

ano novo
ano
novo
a
no
no
vo
2010

[Gato]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

... E te esconder de mim


Esconde-esconde
com você não brincaria
me diga aonde
que atrás de ti até iria...
Mas já que é melhor assim
Quando me encontrar sorria para mim...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem havia de dizer

Eu sei que você vai imaginar
Que como fazem na tv
Uma canção romântica há de vir no ar
Selar o encontro que o corpo sente
E o coração aos pulos quer viver

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Caducar

"caducar é quando a pessoa enruga tanto que perde as forças pra viver nesse mundo e cria um outro muito mais divertido, sem regra e hora pra dormir"

[do espetáculo VOCÊ]

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Chá Verde

Eu tentei evitar
Liguei a tevê
E deitei no sofá
Desde que haja tempo pra sonhar
E assuntos pra desenvolver
Não é muito fácil desligar

Me dá pena do meu chinês
Por ele eu passava o dia inteiro
A meditar
Bebendo chá verde ele me diz
"Fica feliz que vai funcionar"
Mas eu tô feliz,
Eu juro pelo meu irmão
O saldo final de tudo
Foi mais positivo que mil divãs

Por isso que não adianta
Querer julgar
É cada um por si
Na sua
Própria bolha de ar
Mas o que eu penso mesmo
É encontrar alguém que me dê carinho e beijo
Me trate como um nenêm,
Me trate muito bem
Ah, eu só quero amor
Seja como for o amor
Seja bom, seja bom,
Seja bom, seja amor
Me faz mais feliz
Me dá asas pra fluir
E cantar o amor
Lá lá iá lá iá lá iá lá iá

(Tiê - lindaa!)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Dona Flor



Dona Flor, veja bem onde andas!
Entre Teodoro e Vadinho,
escolha o caminho!
Tu sabes que facilmente encantas!
Mais que o Jorge Amado
Teodoro é passado!

E sabes melhor que ninguém conjugar:
Eu, tu, ele, nós, vós e eles jamais!
Acho que deves mesmo é aproveitar
Viver, tu e eles e quem mais

Ah, Dona Flor, que ironia gritante!
Não te deixes ser colhida do jardim!
Prefira-te à vista dos passantes
Tome chuva, és assim

Enquanto alguns te querem num vaso
outros te desejam num caso
ou outra maneira que lhe agradar
Tudo para não lhe despetalar

E que mais se pode contra tí?
Senão querer e desejar e amar?
E amar é não morrer
É não saber, não ter coragem*
É o receio, o lamento
Nenhuma bobagem.

* Furtado do Gonçalves Dias em " Se se morre de amor"

Por Aislan Munin

quarta-feira, 22 de julho de 2009

22.07

Eu poderia te entregar o mundo em uma caixa branca com fita azul.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Retrato

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

[Clarice Lispector]

sábado, 11 de abril de 2009

Pra quê me perfumei?

"... Espero não ter cometido nenhum erro, porque erros se cometem e, justamenente, só são reparados depois, não na hora.
Tantos me esperam, tantos me aguardam, me perguntam e eu pergunto só aos que não me respondem. Passe adiante, amigo! Passe por cima. De lá poderá ver mais de perto o que de longe parecia tão fértil. Se o Jordan e o Jazz não estivessem comigo não sei o que seria de mim. "

[Gustavo Piccirillo]

terça-feira, 7 de abril de 2009

e lá de longe...

"Desconhecendo a essência da vida, vivo essencialmente a minha maneira"
Ana tatuou!
Ah se eu lembrasse disso toda vez que as cores se perdessem...
Cabeça de girico! Memória de girico...
Mas hei de lembrar!
Nem que eu tenha que com batom escrever no espelho do banheiro, com caneta na superfície da mão, pôr um lembrete no meu celular... como eu faço com os relatórios que tenho que enviar todo dia 28 do mês, e com a reunião que ficou marcada para 2ª às 10h., com a mensalidade que vence no dia 30...
Afinal, "essencial é viver"...

Essencial eh amar.
Eh saber olhar o mais simples sorriso dado.
Eh olhar, acordado, o momento infimo da folha ao cair.
Eh pensar sem pensar e pensar no que dizem.
.
Eh sentir o andar
com os pes em chao de giz
Eh saber correr sem ter preca de ser feliz
E por um triz perder o ar ao vento sentir.
.
Eh gargalhar sem medo
Com medo apenas de ter fim.
Eh abracar sem ter que dizer um A
Apenas dizer que sim.
Eh se entregar!
Eh servir de instrumento
Para os acordes da vida
Eh saber dar vida
A tudo o que estar por vir!
.
Cadu 29.03.2009 22:07
.
[saudades amigo]

quinta-feira, 12 de março de 2009

dia-a-dia



Trabalho da CIA DE FOTO desenvolvido pelo MAM-SP.
Ensaio sobre intimidade e cotidiano do coletivo.

terça-feira, 10 de março de 2009

empiricamente

"Todo coração em caos traz uma estrela cintilante." (Nietzsche)

terça-feira, 3 de março de 2009

"Às vezes

eu sinto solidão." (D. Graça)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"Um homem precisa viajar.

Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.
Amir Klink

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Manifesto dos Invisíveis

Motorista, o que você faria se dissessem que você só pode dirigir em algumas vias especiais, porque seu carro não possui airbags? E que, onde elas não existissem, você não poderia transitar?

Para nós, cidadãos que utilizam a bicicleta como meio de transporte, é esse o sentimento ao ouvir que “só será seguro pedalar em São Paulo quando houver ciclovias”, ou que “a bicicleta atrapalha o trânsito”. Precisamos pedalar agora. E já pedalamos! Nós e mais 300 mil pessoas, diariamente. Será que deveríamos esperar até 2020, ano em que Eduardo Jorge (secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo) estima que teremos 1.000 quilômetros de ciclovias? Se a cidade tem mais de 17 mil quilômetros de vias, pelo menos 94% delas continuarão sem ciclovia. Como fazer quando precisarmos passar por alguma dessas vias? Carregar a bicicleta nas costas até a próxima ciclovia? Empurrá-la pela calçada?

Ciclovia é só uma das possibilidades de infra-estrutura existentes para o uso da bicicleta. Nosso sistema viário, assim como a cidade, foi pensado para os carros particulares e, quando não ignora, coloca em segundo plano os ônibus, pedestres e ciclistas. Não precisamos de ciclovias para pedalar, assim como carros e caminhões não precisam ser separados. O ciclista tem o direito legal de pedalar por praticamente todas as vias, e ainda tem a preferência garantida pelo Código de Trânsito Brasileiro sobre todos os veículos motorizados. A evolução do ciclismo como transporte é marca de cidadania na Europa e de funcionalidade na China. Já temos, mesmo na América do Sul, grandes exemplos de soluções criativas: Bogotá e Curitiba.

Não clamamos por ciclovias, clamamos por respeito. Às leis de trânsito colocam em primeiro plano o respeito à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. Estes motoristas felizmente são minoria, mas uma minoria que assusta e agride.

A recente iniciativa do Metrô de emprestar bicicletas e oferecer bicicletários é importante. Atende a uma carência que é relegada pelo poder público: a necessidade de espaço seguro para estacionar as bikes. Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor. Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta; nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via, regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista. A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima a presença da bicicleta nas vias públicas.

A insistência em afirmar que as ruas serão seguras para as bicicletas somente quando houver milhares de quilômetros de ciclovias parece a desculpa usada por muitos motoristas para não deixar o carro em casa. “Só mudarei meus hábitos quando tiver metrô na porta de casa”, enquanto continuam a congestionar e poluir o espaço público, esperando que outros resolvam seus problemas, em vez de tomar a iniciativa para construir uma solução.

Não podemos e não vamos esperar. Precisamos usar nossas bicicletas já, dentro da lei e com segurança. Vamos desde já contribuir para melhorar a qualidade de vida da nossa cidade. Vamos liberar espaços no trânsito e não poluir o ar. Vamos fazer bem para a saúde (de todos) e compartilhar, com os que ainda não experimentaram, o prazer de pedalar.

Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para construirmos juntos uma cidade mais humana.

A rua é de todos. A cidade também.

Nós, ciclistas, que também somos o trânsito:

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Garoa

"Sempre penso na garoa como uma chuva que resolveu negar seu destino provável e voar por aí sem rumo certo. E que só o faz porque é leve e impensada; porque não tem a ignorância dos que olham para baixo e nem a fraqueza dos que se deixam cair."